Estamos em novembro e já notamos decoração de Natal em alguns lugares. Já somos convidados para os sorteios de amigo-oculto. Contamos os dias para as viagens programadas para o fim do ano. Para alguns, o ano passou voando em um avião supersônico. Para outros, o avião nem decolou e cada dia é uma eternidade.
Tudo é uma questão de tempo ou, pelo menos, de uma sensação de tempo. Quando nossa vida está mais acelerada, a impressão é de que o tempo passou rápido. Não notamos o tempo passar quando realizamos, quase automaticamente, atividades que exigem respostas e soluções imediatas.
Quanto maior a necessidade de realizar atividades “para ontem”, menor a percepção dos eventos do presente. Quando nos damos conta, já é hora de mudar o calendário.
Por que temos a sensação de que alguns instantes duram mais do que outros?
Como a organização e as exigências do cotidiano variam de pessoa para pessoa, a percepção de tempo também é individual. Mas não é só isso. Há também estudos que explicam por que algumas lembranças são registradas no cérebro em câmera lenta e outras são aglutinadas como um vídeo clipe frenético.
Um dos estudos relacionados à neurociência do tempo foi feito em 2009 por uma equipe coordenada pela pesquisadora Virginie van Wassenhove, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Uma das constatações da pesquisa é que existe uma ilusão visual de alongamento do tempo que interfere em nossas memórias. Se você observar durante o mesmo intervalo de tempo um objeto parado, um objeto se afastando e um objeto vindo em sua direção, a tendência é que seu cérebro interprete que esse último evento durou mais tempo.
Quando o objeto vem em nossa direção estimula regiões do cérebro responsáveis por nos manter em alerta, por isso ficamos mais atentos aos detalhes e temos a impressão de que o tempo é maior. Isso também acontece com eventos de forte valor emocional. A ilusão de dilatação do tempo está relacionada à ativação de áreas do cérebro importantes para o controle cognitivo.
Então, vamos mudar a rotina! Novas situações nos deixam mais atentos e o tempo parece desacelerar. O intervalo de um minuto ainda será de 60 segundos, mas você não terá mais sustos com o calendário.
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